Educação é a única salvação

Nos últimos anos tornou-se cada vez mais comum o assunto: falta de mão de obra ou apagão da mão de obra no Brasil.

Por Cristian Kim

Nos últimos anos tornou-se cada vez mais comum o assunto: falta de mão de obra ou apagão da mão de obra no Brasil. Na verdade estamos vivendo uma época de falta de qualificação profissional em todos os níveis. E isto é reflexo do baixo nível de nossa educação. Enquanto nossos governantes discutem acordos ortográficos e cotas nas universidades, nossos profissionais estão chegando ao mercado de trabalho totalmente despreparados.


Atualmente, ocupamos a 53ª posição no ranking da Educação da OCDE- Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Enquanto nossa economia avançou para a sétima posição mundial, o nível da nossa educação está abaixo da média da América Latina e de países como Venezuela, Peru e Colômbia.

Países com educação de baixa qualidade sofrem com altos gastos públicos com saúde, segurança, assistencialismo, além de altos índices de criminalidade e baixo crescimento econômico. Conhece algum país com esse perfil?

A principal razão pela qual o Brasil se desenvolveu nesses últimos anos foi a alta demanda internacional por recursos naturais. Entretanto, a demanda por esses produtos tem diminuído e o Brasil necessitaria de uma pauta de exportação mais diversificada e principalmente mais qualificada para continuar se desenvolvendo e não depender tanto de um ou dois países importadores.

Para criarmos um país mais competitivo, precisamos melhorar nossos investimentos na educação e, com isso, qualificar nosso capital humano. O principal ativo que um país pode ter é o seu capital humano e também a única forma de se desenvolver tecnologia local e agregar valor a nossa produção. Só assim poderemos ser exportadores de tecnologia e produtos industrializados e não somente um exportador de commodities com baixo valor agregado. Para exemplificar cito o caso dos Estados Unidos, que aumentaram o investimento em educação ampliando o número de bibliotecas públicas nos anos que vieram depois da crise econômica de 1929 e mais recentemente dobraram o número de bolsas de estudos em 2009 e 2010. O Japão fez investimento maciço na educação depois do final da segunda guerra mundial e a Coreia do Sul fez o mesmo na década de 60. Todos são países de vanguarda em tecnologia, PIB per capita e índices de desenvolvimento humano. Sabemos que o retorno do investimento feito na educação leva décadas para se concretizar e que culturalmente não somos um país que se destaca no planejamento de longo prazo, além disso, nossa maneira de se “fazer política” não nos permite planejar em períodos superiores a 4 anos.

Para ilustrar esse raciocínio, escolhi o número de registro de patentes internacionais por milhão de habitantes da World Intellectual Property Organization (WIPO). Fiz essa seleção, pois esse indicador consegue medir o valor do capital humano de um determinado país.

Enquanto no Japão existem aproximadamente mil pedidos de patentes por milhão de habitantes, na Coreia do Sul existem 800 pedidos, e no Brasil, apenas 2 pedidos de patentes por milhão de habitantes. Além disso, sabemos que a maior registradora de patentes do Brasil é uma empresa multinacional americana que detém aproximadamente 35% do total de pedidos de patente no ano passado.

Essa estatística é uma constatação de que os níveis de nossa educação estão sofríveis. Não estamos apenas abaixo da média dos países desenvolvidos, mas estamos também abaixo da média dos BRICS e da América Latina. Fato esse que nos leva à conclusão de que estamos cada vez mais distantes dos países industrializados, exportadores e desenvolvedores de tecnologia.

Os países que se desenvolveram rapidamente nas últimas décadas, cujo exemplo citei acima, têm em comum investimento maciço na educação básica e fundamental.

Atualmente esses países têm uma base educacional consolidada, o que lhes permite direcionar esforços também para a educação em nível superior. O Brasil precisa revolucionar imediatamente a educação e passar a valorizar o conhecimento e a meritocracia. Precisamos substituir a cultura do improviso e do ”jeitinho”, por planejamento, inteligência, ciência, trabalho e mérito, sob o risco de nos distanciarmos ainda mais das economias desenvolvidas.